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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Confira uma Entrevista com Rafael Leitão

"Bater o recorde de títulos nacionais sem dúvida é uma meta, mas a longo prazo” diz número um brasileiro


O maranhense Rafael Leitão acaba de se tornar hexa-campeão nacional de xadrez. Em um bate papo com o ídolo, após a conquista, a Revista Meio Jogo foi saber quais são seus planos para o futuro, o que acha da nova geração e sobre seus pitacos sobre Anand e Seleção Brasileira de futebol.
rafael leitão no sportv
Meio Jogo: Como se sente após sua sexta conquista de nacionais?
Rafael Leitão: Muito feliz! O Campeonato Brasileiro é sempre um torneio especial.
MJ: Como foi sua preparação para este torneio, tinha alguma surpresa na manga para usar no decorrer do evento?
RL: Em razão da minha agenda de torneios recentes e de aulas/palestras, não fiz qualquer preparação especial para o torneio.
MJ: Agora que está tão perto do recorde de Sunye e Vescovi, pretende superá-los em breve?
RL: Acredito que Souza Mendes também seja um dos recordistas. Bater o recorde de títulos nacionais sem dúvida é uma meta, mas a longo prazo.
MJ: A boa corrida que empreenderam Umetsubo e Krikor no início do torneio, o motivou a buscar a vitória cada vez mais em suas partidas ou simplesmente as coisas foram dando certo para você?
RL: Já era previsível que seria necessário fazer muitos pontos para ser campeão brasileiro. Sinceramente, a surpresa foi ter um adversário adicional, já que o desempenho do Umetsubo foi uma surpresa para todos. Eu simplesmente jogava todas as partidas para ganhar, tentando não pensar muito nas partidas do Krikor e do César. Tentei fazer o meu melhor, mas não me coloquei muita pressão para ser o campeão;
MJ: O que achou do nível técnico do Brasileiro deste ano?
RL: Infelizmente apenas dois GMs jogaram e isso foi ruim para o torneio, pois não deu chances de norma. Claro que o ideal seria um torneio com maior presença dos nossos GMs ativos, mas devo destacar que vários promissores MIs disputaram a prova este ano, quase todos com normas de GM, sem falar no Umetsubo que jogou muito acima do seu rating.
MJ: Como viu a tietagem que sofreu do público presente no evento?
RL: Não sei se o termo correto seria “tietagem”. Tietagem geralmente indica algo exagerado e incômodo, o que certamente não aconteceu. Tínhamos sempre a presença de alguns enxadristas entusiastas na plateia, que gentilmente pediam para tirar fotos eventualmente. A presença do público é muito importante para quem joga, pois nos dá motivação para fazer o melhor.
MJ: O que você acha da nova geração do xadrez nacional?
RL: Temos alguns fortes enxadristas, vários com chances de obter o título de GM nos próximos anos. Mas para conseguirmos um jogador realmente com chances de chegar na elite, seria necessário muito mais investimento em nosso esporte. Sem torneios com altas premiações, bons cachês e boas condições em geral, é difícil se animar para a vida de enxadrista profissional. Sem esse apoio os nossos talentos acabam abandonando ou esporte ou dividindo-o com outras atividades. Sem falar que isso faz com que alguns jogadores de ponta abandonem o xadrez de competição para focar em aulas, o que acaba prejudicando seu desenvolvimento.
Leitão
MJ: Em outro momento, numa entrevista ao Reino de Caissa, você disse que buscar os 2700 ainda era algo difícil. Agora que chegou a quase metade desse objetivo, pretende encarar este desafio?
RL: Para que eu pudesse ter a chance de chegar a 2700, precisaria de um patrocínio que me permitisse dedicação exclusiva ao meu próprio jogo, bem como a participação em fortes torneios internacionais. Como não vislumbro essa possibilidade, prefiro me dedicar a metas mais factíveis.
 MJ: Falando em planos futuros, pretende jogar algum torneio na Europa no próximo ano, com exceção das Olimpíadas?
RL: Não. Vou me dedicar à preparação para as Olimpíadas e torneios interessantes no Brasil e América do Sul, se houver.
MJ: Em recente entrevista ao Reino de Caissa, você deu dois pitacos: no primeiro previa que Carlsen venceria o mundial e Anand era apenas uma zebra, acertando em cheio. No segundo previa que a Seleção Brasileira será também uma zebra na próxima Copa do Mundo. Continua com a mesma opinião?
RL: A seleção brasileira de futebol, felizmente, evoluiu muito. Acredito que ela possa ser campeã. Mas acho que meus palpites enxadrísticos são mais certeiros!
MJ: E por falar em palpites, quem você acha que será o próximo GM brasileiro?
RL: Temos vários jogadores com as mesmas chances. Tudo dependerá da oportunidade de cada um deles para se dedicar, viajar etc. Desejo sorte a todos!
Categories: Xadrez Brasil

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